Férias em Foz do Igauçu

Se tem algo que o Brasil faz pouco e foca errado é cuidar do seu turismo. Isso fica claro no mapa abaixo feito pelo pessoal do VisualCap e que mostra que ficamos muito longe de vários paises menores.

Engraçado que toda a nossa propaganda é baseada no Rio de Janeiro (vejam a busca por “tourism in brazil” no Google) além disso, as principais sugestões do http://www.visitbrasil.com/en/  Foz do Igauçu aparece apenas quando aumentamos as opções do site e mesmo assim é uma das últimas e pior, ao entrar no site http://www.visitbrasil.com/en/experiencias/the-force-of-nature-in-foz-do-iguacu.html (hoje, 22/01/19) ele dá erro…

Este post contas as minhas dicas e observações com base nas férias que passei lá este ano, sem ser exaustivo ou a voz da verdade, mas que mostra o porque eu achar que este deveria ser um destino mais bem explorado comercialmente por nós.


As Cataratas do Iguaçu foi eleita uma das Sete Novas Maravilhas da Natureza e a contemplação do maior conjunto de quedas d’água do mundo pode ser feita da terra, da água e do ar. No meu caso eu não fiz o passeio de helicóptero (R$450,00 por pessoa) e nem o Macuco que é o passeio de barco, fazendo apenas as trilhas por terra.

Mas vamos organizar alguns pontos importantes para uma viagem pra conhecer as Cataratas:

Passagens

Foz do Iguaçu está a 1h45 de vôo de São Paulo/Guarulhos (Gol, Latam, Avianca) e de São Paulo/Congonhas (Gol, Latam).

Eu fiz um pacote de passagem e hospedágem no Zarpo, mas olhando o site da Tam dá uma média de R$2.000,00 a ida e volta. Salgado devido ao fato de que a Latam serve apenas água no serviço de bordo (todo o resto é pago).

Hospedagem

Aqui depende bastante de cada um, mas um ponto importante é, na minha opinião, contratar apenas a hospedagem com café da manhã pois você irá almoçar nos passeios que levam o dia todo geralmente. Mas aqui tem um pegadinha, pois dependendo da localização do hotel os restaurantes ficam distantes e o transporte caro, portanto, olho no mapa.

O que fiz foi ficar em um hotel que tem um Shopping do outro lado da rua e com isso poder economizar com as refeições ao ir na praça de alimentação (O jantar no hotel era R$75,00 por pessoa).

Além disso, considerando que a parte da tarde você estará no hotel e que o dia dura até umas 20:30h, ter uma boa infra é bem legal, pois lembre-se que é uma viagem de férias.

Transporte

Foz tem Uber, mas se planeje pois não foi apenas uma vez que o aplicativo me deu a mensagem que não havia carro disponível. Táxi normal é bem caro, pois as distâncias são grandes, visto que os parques não ficam perto do centro (Do aeroporto pro meu hotel deu R$40,00).

Há as linhas de ônibus da cidade, a linha 120 liga o aeroporto de Foz ao centro e passa no parque brasileiro por R$ 3,55. Normalmente há um ônibus a cada 20 minutos, entre 6h e meia-noite e nos horário dos passeios é bem cheio.

Há uma empresa de transfer, que não descobri antes de viajar, e parece legal para todos os passeios. Fora que sempre tem a opção de alugar um carro, o que eu não achei interessante pelo fato de custar R$100,00 a diária de um Mobi e que você não pode ir para o Paraguai ou a Argentina, além de ter o custo do estacionamento.

O que eu fiz foi encontrar um taxista bom e fechava pacotes de ida e volta com ele me pegando no hotel e buscando na volta em horários combinados. A vantagem é, além do conforto, a possibilidade de atravessar a fronteira sem perrengue e com um custo próximo do carro alugado (Um pouco mais caro que o transfer).

Por exemplo, o passeio para o parque Argentino ficou em R$200,00 ida e volta (somos em 3 pessoas) e ele me deixou na porta do parque e me pegou no mesmo lugar no horário combinado, levou ao Dutty Free Argentino e aguardou 2h para as compras antes de voltarmos ao hotel (O Transfer sairia R$120,00 mas sem Duty Free).

Passeios

Agora vamos ao que interessa, os passeios.

Dia 1

Vá logo cedo para o parque das Cataratas do Iguaçu e no Centro de Apoio aos Visitantes já avalie se irá fazer os passeios de barco (Macuco) e compre o ingresso, pois é independente da entrada do parque. Como náo fiz este passeio a minha sugestão é descer a trilha a pé até a Garganta do Diabo e faça a volta pelo elevador panorâmico.

O parque é muito bem organizado e há ônibus recorrentes que levam os visitantes para as estações (Macuco, Safari, Trilha e Elevador) e de volta para a entrada.

Ao final do passeio aproveite para almoçar no restaurante do parque na estação do elevador (até porque não há nada próximo) e já se prepare para a próxima atração.

Ao sair do Parque basta atravessar a rua para ir ao Parque das Aves e fazer um passeio bem agradável por esta reserva com mais de 800 animais.

Dia 2

Para dar uma descansada das caminhadas do dia anterior, o complexo da Usina de Itaipu é uma visita obrigatória. Há o Polo Astronômico Casimiro Montenegro Filho que proporciona uma aula rápida de astronomia, a observação do céu e uma “viagem” pelo céu no planetário.

Se fizer ele pela manhã, já emende o passeio à usina e deixe para almoçar no restaurante da barragem (o da entrada é pequeno e cheio) e depois há um passeio tranquilo de katamaram pela represa e que demora uns 40 minutos.

O complexo tem outros passeios, como a visita interna da Usina, mas que é para acima de 14 anos e você deve estar de calças para poder fazer. Além disso, o Polo e o Katamaram são pagos a parte.

Dia 3

Prepare as pernas para andar e muito no lado hermano das Cataratas e não esqueça os documentos (RG ou Passaporte). Esse é um passeio essencial, tanto quanto o lado brasileiro para ser feito nesta viajem. O lado Argentino é muito mais bonito e vistoso, pois tem muito mais quedas e as trilhas são mais “brutas” por assim dizer.

Enquanto no lado brasileiro a trilha beira a montanha que margeia o rio, o lado hermano tem diversas passarelas por cima das quedas e atravessando os rios formados pelas rochas.

Enquanto o lado verde-amarelo temos 1 trilha principal, o lado azul-branco tem 3, sendo elas: Garganta do Diabo, Trilha Inferior e Trilha Superior.

Para chegar até elas temos que passar pelo maior problema deste parque, o trem que te leva para a estação onde começam as trilhas, pois ao contrário do ônibus do lado de cá, estes trens não tem uma recorrência pontual, são lentos e o embarque é uma zona.

Mas, voltando ao passeio, chegue cedo e vá direto para a estação da Garganta do Diabo, o que implica pegar o trem na Estação Central, descer na Estação Cataratas (onde ficam as trilhas superior e inferior) e pegar outra composição (e outra fila para bilhete e embarque).

A vantagem de fazer este passeio primeiro é porque a passarela é de mão dupla (e portanto, por favor respeite a regra universal de andar pela direita) e com isso o tráfego é intenso mais perto do almoço e na parte da tarde e esta divisória da foto abaixo existe apenas na entrada/saída.

Da entrada até a mureta na beirada da queda são 1.100 metros e contando a volta, é um circuito de 2,2 km que vale muito a pena, pois deste lado você sente realmente a força das águas (Garganta do Diabo).

Após se molhar e se deslumbrar com a vista, pegue o perrengue, digo, trem de volta para a estação Cataratas. De lá você tem a opção de mais 2 trilhas a Inferior que vai descendo até próximo do rio e te dá uma visão linda de diversas quedas por baixo, sentindo toda a sua força. São 1.400 metros de caminhada e a trilha é um laço, portanto você não termina onde começou (o final é próximo da estação também).

Após esta trilha há a possibilidade de comer algo na lanchonete da estação, se hidratar (Dica, leve uma mochila com muita água, vc vai precisar) e partir para a trilha superior e seus 1.750 metros que passam pelas mesmas quedas da trilha inferior, mas como o nome diz, a vista é por cima das cachoeiras e te dando uma vista belíssima da paisagem.

Ao final dela você pode pegar o trem pra estação central ou aproveitar o embalo (como eu fiz) e ir pela trilha verde e somar mais uns 450 metros na sua contagem.

Aproveite a volta e pare no Duty Free para fazer umas comprinhas básicas (ou não) e não esqueça que há uma cota de US$300,00 hein.

Dia 4

Se você tiver algumas encomendas há a possibilidade de fazer compras no Paraguai, mas tenha em mente que não é um passeio agradável. Foque nos Shoppings como o Cell Shop e o Paris (Que tem o Shopping China no mesmo prédio) para evitar os camelódromos.

Como você está indo de férias e não como muambeiro, evite comprar de camelô ou em loja duvidosa, desconfiando dos “negócios da China” e como não custa nada, teste os eletrônicos antes de sair com eles da loja.

Aproveite este dia e se planeje para jantar no Marco das 3 fronteiras.

Este parque fica bem na divisa entre o Brasil, Argentina e Paraguai que é localizada no encontro dos rios Iguaçu e Paraná.

Cada uma das margens possui um Obelisco que você pode ver da mureta do parque brasileiro. Chegue por volta das 19:30 e jante no restaurante Cabeça de Vaca com calma e depois busque um local na mureta por volta das 20:20 e acompanhe um dos mais lindos pôr-do-sol vendo ele descendo por trás do lado paraguaio.

Após este espetáculo da natureza, temos 2 shows em frente a fonte luminosa (de 3ª a domingo), entre 20h e 20h30 com dançarinos do Brasil, Argentina e Paraguai.


Bem, estas são os meus comentários sobre um passeio em Foz do Iguaçu, que demanda um certo planejamento de atividades e financeiro para visitar, mas que é obrigatório pela sua beleza, que não é capturada por nenhuma foto, só estando lá para entender a grandiosidade deste lugar.